Opinião Turismo – Olhar Futuro
Apesar das
dúvidas dos céticos e das certezas dos desconhecedores, o Turismo em Portugal
cresce e consolida posições. Sendo certo que já são visíveis sintomas de que há
um ciclo que está a terminar e que vamos entrar numa nova fase, seguramente
muito desafiante.
Portugal –
instituições, empresas, regiões – tem de se preparar.
Comecemos
pelo quadro internacional. Em 2018 as chegadas de turistas internacionais já
atingiram 1,4 Mil Milhões a nível mundial, antecipando em dois anos as
previsões da OMT que, para 2030, apontam para 1,8 MM. A média do crescimento
mundial entre 2008 e 2018 foi de 3,6%. O crescimento previsto para este ano
está fixado entre 3 e 4%. Portugal ocupa a 17ª posição no ranking mundial das
chegadas. É positivo.
Quanto às
receitas externas, os valores já ultrapassam os 1,3 MM de euros em 2018,
colocando o Turismo entre os três maiores setores exportadores mundiais.
Portugal ocupa a 20 ª posição no ranking mundial. É positivo.
O Turismo,
apesar do ceticismo de alguns – e do oportunismo político de ocasião – é uma
realidade séria a nível mundial e também em Portugal.
O que nos
deve preocupar, então?
Deve-nos
preocupar o facto de estarmos perante um universo complexo e de alto risco,
envolvendo atividades de natureza diferente e em crescente mutação num quadro
mundial incerto.
Dados que
importa salientar. O primeiro dado, estrutural, e que é menosprezado: o Turismo
não se distribui de forma homogénea pelo mundo, nem em cada continente e mesmo
em cada país.
O maior
destino turístico do mundo, com mais de 50% dos turistas internacionais (700
Milhões), é a Europa; seguem-se a Ásia/Pacifico com 24% (340 M), as Américas
com 15% (217 M), a África com 5% (67 M), o Médio Oriente com 4,5% (64 M). Um
dado a ter sempre presente: cerca de 80-85% dos turistas internacionais, tanto
na Europa, como nos outros continentes, provêm da sua própria região do mundo.
Sendo certo
que a Europa, ao longo das décadas, perde posição relativa, é também evidente
que vai continuar a ser, por muito tempo, o principal destino turístico do
mundo. Assim o prevê a OMT.
É aqui que
Portugal está.
Outro fator
estrutural é a oferta. Portugal tem território, produto e uma oferta rica e
diversificada. Mas tem de a enriquecer, diversificar e qualificar
permanentemente. Sem ela não há Turismo.
Por isso, é
importante ter consciência que é no quadro destes vetores que se realiza a
concorrência e a competitividade entre destinos e produtos turísticos.
Portugal.
Que fazer para se preparar para um futuro que já aí está?
Coisas
simples. Todos os dias.
1.Ter plena
consciência da natureza e profunda complexidade estrutural do Turismo.
2.
Acompanhar, perceber a evolução e tendências dos mercados, a atuação dos
concorrentes, a alteração comportamental dos turistas.
3. Dar
especial atenção às contínuas transformações em setores determinantes que
condicionam a prática da atividade turística. Nomeadamente as alterações
resultantes da evolução das novas tecnologias na área do turismo.
4. Prestar
atenção às alterações nas relações de poder entre os diferentes atores das
plataformas tecnológicas globais em concorrência, sobretudo daquelas com
tendências de domínio global. Expedia e Booking, neste momento, já se sentem
ameaçadas por Google e Amazon. A Airbnb não esconde ambições. O setor aéreo low
cost (EasyJet, Ryanair) não para.
Trata-se de
áreas em geral abordadas por «especialistas», mas que não se transformam em
objeto de reflexão na generalidade dos empresários e dos profissionais do
Turismo. E dos cidadãos.
Acompanhar
tudo, todos os dias.
Portugal?
Tem de estar
ciente de que o quadro de evolução do Turismo a nível mundial vai ser cada vez
mais complexo. A disputa dos mercados vai ser muito dura, utilizando
instrumentos cada vez mais sofisticados na base das tecnologias digitais pouco
transparentes na origem e utilização dos dados, na disputa dos potenciais
«novos turistas», sobre os quais «sabem tudo».
Os sinais
das tendências de afirmação dos candidatos a «novos donos» do turismo mundial
são já visíveis e passam por empresas globais «sem rosto» e implacáveis.
Portugal,
pela sua dimensão, localização e vizinhanças, tem de utilizar a máxima
inteligência, construir o melhor enquadramento institucional para se defender e
afirmar.
Sucesso do
Turismo
1. Depende
antes de mais de nos conhecermos melhor. Saber o que somos e ter a capacidade
de definir até onde podemos ir.
2.Temos de
conhecer melhor a realidade da problemática e dos mecanismos da atividade
económica do Turismo internacional.
3.Temos de
ter uma melhor difusão da informação (institucional) que existe, e é boa, mas
que não é objeto de reflexão e discussão. Não chega para gerar conhecimento.
Temos de ter
consciência de que as conjunturas se alteram, que a atual está a terminar e que
vamos entrar num novo ciclo que exige estratégias corretas e ações coerentes,
das instituições, das regiões e das empresas.
O contributo
do Turismo para a economia nacional, é relevante e insubstituível. O país
precisa que continue.
Conscientes
de que «não temos turismo a mais» o que temos é «outros setores a menos».
Opinião de
Vítor Neto, empresário e gestor, presidente do NERA, Associação Empresarial da
Região do Algarve, publicada originalmente em Publituris.



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